A videira, o agricultor, os ramos e os frutos. João 15

CNE 3 de maio de 2010 2

O Evangelho de João é aquele que retrata, com certa exclusividade, as declarações de Jesus com o famoso início “Eu sou…” Bem podemos lembrar que Ele diz que é o bom pastor, a porta, a luz do mundo, o pão da vida, o caminho, a verdade e a vida, etc…

Aqui, Jesus usa uma última vez este recurso de comparação. O clima é de despedida. E há coisas importantes a serem ditas em um momento assim. Olhe em sua Bíblia João 15.1-8. Quero destacar alguns pontos deste texto sob o desafio da caminhada com Deus, o discipulado.

1. Identificação – A surpresa! Observe  que Jesus identifica bem o papel de cada pessoa nesta parábola. E esta identificação tem implicações profundas para nossa caminhada de fé. Vejamos:

O mestre chama a si de a videira. Quem lê o Antigo Testamento descobre que lá a videira é relacionada com Israel, o povo de Deus(veja, por exemplo, Sl 80.8s., Is 5.1-7; Jr 5.9-11; Ez 15.1-6, etc.). Um detalhe é que, via regra, há uma menção negativa, especialmente no sentido de que esta videira Israel, foi plantada, mas nada deu de fruto, decepcionando a Javé. Em momento algum, no AT, há referência de que o Messias haveria de ser relacionado com a videira. Ao fazer esta afirmação que está aqui registrada em João, Jesus quebra um paradigma, causando, com certeza, estranheza nos seus ouvintes. Por que Jesus faz esta afirmação? Eu entendo que é pelo processo da substituição: Se Israel fracassou em ser a videira, Ele agora tem que fazê-lo. Se Adão fracassou em ser pessoa segundo a vontade de Deus, Jesus assume como o Adão sem pecado. Fique bem entendido que nós também fazemos parte desta história. Também nós fracassamos no propósito de Deus para conosco. E Jesus assume, com todos os custos. E tem mais. Ele é a videira, mas o pai é o agricultor. Quem tem maior valor, a videira ou o agricultor? Assim Jesus demonstra o que regeu toda a sua vida: a completa sujeição ao Pai. Lembremos, por exemplo, de sua luta no Getsêmani quando ele expressa: Não seja feita a minha vontade, mas a tua.

E nós, como nos portamos diante deste quadro? Percebemos que o exemplo de Jesus deve nos conduzir também à completa sujeição ao Pai?

2. A ação de Deus. O cultivo das videiras era bem praticado em Israel. E Jesus descreve o trabalho do pai. Se o ramo não dá fruto, ele o corta, porque para mais nada serve, senão para isto. Se dá fruto, cuida bem dele, limpa, para que dê mais fruto ainda. E Jesus acrescenta. O que nos limpa, é a Palavra de Deus(v. 3). Ou seja, sem o contato com a Palavra, não há crescimento, não há santificação em nossas vidas.

 

3. O que se espera do ramo, afinal? Se lemos com atenção este trecho, logo percebemos que um verbo se sobressai: permanecer. Jesus destaca que o ramo, o discípulo, precisa ficar ligado na videira, que é Jesus. Quando Jesus chamou os discípulos, a primeira coisa que Ele queria deles era que “estivessem com Ele”(Mc 3.14). O que resulta em uma vida cristã frutífera é a plena comunhão com o Pai e com o Filho. É a busca, a procura, a intimidade com o Senhor.

4. O resultado: o que é isso?

Jesus, no decorrer da parábola, retrata uma vida que não dá fruto, que é vazia! Menciona uma vida que dá(algum) fruto, que podemos considerar como que o começo da caminhada do discipulado. Mas tem aquela que dá mais fruto, indicando o crescimento e, por fim, que dá muito fruto, expressando que esta vida está em plena atividade em função do Reino.

Mas que é este fruto? Vamos buscar a resposta na própria Palavra.

a)     Quando João Batista está pregando ao povo, Ele brada: Produzi frutos dignos de arrependimento(Lc 3.8). A vida com Cristo precisa ter esta constante: Nos arrependermos por nossos pecados e o voltar-se para permanecer na videira.

b)    O fruto do Espírito(veja Gl 5.22-23), pois a nossa relação com Cristo deve produzir em nosso interior a transformação do caráter. Em outras palavras, as pessoas de seu relacionamento percebem que sua relação Cristo, sua fé, tem provocado mudanças em seu modo de ser e de agir?

c)     O fruto de nosso testemunho, lembrando da parábola do semeador. Que nosso viver conduza outros a buscarem a Cristo e ficarem ligados na videira.

E tudo isto deve conduzir para a Glória de Deus e o engradecimento de seu Reino, pois para isto fomos criados e chamados(João 15.8a.)

Mensagem do pastor Oscar Elias Jans, em culto na CNE dia 02 de Maio.

2 Mensagens »

  1. Edsioomar claudino 13 de junho de 2012 at 14:08 -

    Paz.Apreciei muito esta mg.Deus oabençoe.

  2. Maria de Lourdes 17 de agosto de 2012 at 19:48 -

    Obrigada pela mensagem tão edificante, que o Senhor continue abençoando a sua vida.

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